Caso clínico

Expansão Cirurgicamente Assistida da Maxila

 

Orlando Chianelli *;  Cláudio Dutra**;  Carlo Marassi***; Marcos V. Teixeira****

 

Paciente R.C, 23 anos, com queixa principal de apinhamento dentário.

       

   O paciente é mesofacial, com boa relação entre as bases ósseas. Apresentava maxila atrésica com mordida cruzada posterior bilateral. O apinhamento inferior era de 15mm.

          

 

 

    Por causa da idade do paciente, o caso foi planejado para expansão da maxila cirurgicamente assistida.
    Para corrigir os apinhamentos foi necessário complementação com extrações dentárias. Os dentes escolhidos foram os quatro caninos devido a falta de suporte periodontal.
   O tratamento foi realizado num período de 3 anos com a técnica de "Straigth Wire" e fios Nitinol na fase inicial. Na fase final, já com fios de aço, foram necessárias algumas dobras de torque e "steps" para extrusão dos incisivos superiores, com ajuda de elásticos. A contenção inferior foi fixa com fio "twist-flex" de 34 a 44, e a superior com aparelho removível.
   Os dentes 14 e 24 foram transformados em caninos através de dentística restauradora pelo Dr. Orlando Chianelli.
   O caso teve início na UNIGRANRIO e foi finalizado no COOF.A cirurgia foi feita no Hospital de Ipanema pelo Dr. Cláudio Dutra.

 

 

Acima: após a cirurgia e expansão (18 dias). Os caninos foram extraídos antes da cirurgia p/ expansão

 

Fase intermediária (9 meses após a cirurgia)

 

Fase intermediária (20 meses após a cirurgia)

 

Finalização com o auxilio de elásticos

 

 

Final com os 1os pré-molares transformados em caninos.

 

Fotografias da face: iniciais e finais ( 33 meses após cirurgia).

Considerações sobre a Expansão Rápida da Maxila Cirurgicamente Assistida   (por Cláudio Dutra **)

       Quando estamos frente à uma discrepância no sentido transverso, temos que fazer a seguintes considerações:

 ·        Esta discrepância pode ser resolvida apenas com aparelho fixo? (até 5mm)

·        Existe deformidade maxilar que necessite movimentação vertical ou antero-posterior associada? (deformidade transversa até 8mm)

·        Existe deformidade transversa maior que 5mm em paciente sem nenhum outro problema ou deformidade combinada cuja discrepância transversa é maior que 8mm? Se existe, ainda há crescimento para se iniciar a expansão ortopédica?

         Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que não é o Cirurgião que faz a indicação de correção cirúrgica da deformidade transversa (DT), mas o Ortodontista, que avaliou o caso e diagnosticou que sem o auxílio cirúrgico o caso não seria finalizado com estabilidade – geralmente isto significa que a DT é maior que a capacidade de movimentação dentária alveolar nos quatro quadrantes, que gira em torno dos 4mm.

        Quando estamos diante de um paciente que necessita de algum outro procedimento cirúrgico maxilar e a DT é de até 8mm, esta expansão pode ser feita trans-operatoriamente através de Osteotomia Maxilar Segmentada. Este limite de 8mm existe pela necessidade de preservação da integridade da mucosa palatina (fonte mor de vascularização da maxila osteotomizada), que não resistiria ao estiramento provocado pelo aumento transverso do palato. Neste caso, há a necessidade de dois tempos cirúrgicos, o primeiro como auxiliar da expansão e o segundo para correção da deformidade maxilar.

        Portanto, quando estamos diante de um paciente, SEM CRESCIMENTO, com DT isolada maior que 5mm ou DT combinada maior que 8mm, indicamos a EXPANSÃO RÁPIDA DO PALATO CIRÚRGICAMENTE ASSISTIDA.

        Este procedimento deve ser realizado sob anestesia geral por dois motivos. O primeiro e mais óbvio é o conforto do paciente, pois tal procedimento envolve a utilização de osteótomos manuais, que tornam o procedimento deveras desconfortável, além de produzir um sangramento considerável. O segundo motivo é técnico: sem a anestesia geral, não é possível a realização de todas as osteotomias necessárias para que se realize uma expansão palatina indolor e com a necessária estabilidade a longo prazo.

        O procedimento cirúrgico é bastante simples, levando cerca de 1 hora para ser realizado e 24hs de internação hospitalar no total. A recuperação para retorno às suas atividades normais se dá em torno de 4 a 5 dias.

        Para o procedimento, deve-se montar um aparelho tipo hyrax na maxila, com um parafuso que já esteja dimensionado para o grau de expansão a ser obtida. O aparelho tipo Haas não é adequando pois, apesar do apoio ser dento-alveolar, este causaria isquemia por compressão da mucosa palatina, que como já salientei anteriormente, deve ser preservada neste tipo de procedimento. É feita então uma osteotomia tipo Le Fort I sem que haja a fratura da maxila, associada à osteotomia da sutura palatina.

        A ativação se dá cerca de dois dias após o procedimento, e esta deve ser rápida o suficiente para que não se inicie o processo de fibrose e com isso dificulte a expansão desejada, porém também deve ser lenta para não causar dor e deformidade inestética da papila inter-incisal. Portanto, uma ativação de cerca de meio milímetro por dia nos dá uma expansão confortável e segura.

        Quando se congela o aparelho após a expansão desejada, já pode ter início a ortodontia, alinhando e nivelando o arco inferior e controlando a migração dos incisivos superiores em direção à linha média. O Hyrax deve ser mantido em posição por cerca de 4 meses, quando então deve se colocar um arco retangular pesado antes da retirada do distractor, para que não haja qualquer possibilidade de contração residual.

        O padrão de recidiva é tanto dentário como esquelético, pois há contração maxilar com o hyrax em posição – gerando migração dentária vestibular – e contração dentária após a remoção do hyrax. Por causa deste fato, deve-se sempre considerar algum grau de sobrecorreção. Se certo grau de recidiva é esperado e é um fato considerado neste tipo de tratamento, ela não resulta em falha do tratamento, mas apenas numa etapa do mesmo.

 

* Orlando R. Chianelli Jr.:

Especialista em ortodontia pela UNIGRANRIO
Professor do curso de especialização da UNIGRANRIO
Professor do curso de ortodontia do COOF(Centro de Ortodontia e Oclusão Funcional)
Pós graduação pelo Roth-Willians center for functional occlusion
Pós graduação em Oclusão Dental pela Policlínica Geral do Rio de Janeiro
 
** Claudio Dutra:
Residência em Cirurgia Buco Maxilo Facial - Hosp. Univ. Pedro Ernesto (UERJ)
Residência em Cirurgia Crânio Maxilo Facial - Hosp. Geral de Ipanema
 

*** Carlo Marassi:

Especialista em ortodontia pela USP-Baurú
Professor da especialização em ortodontia da UNIGRANRIO
Vice-presidente da Sociedade de Ortodontia do Rio de Janeiro
Diretor científico e professor do grupo Straight-Wire do Rio deJaneiro

American Association of Orthodontists International Member

World Federation of orthodontists fellow

  

**** Marcos V. Teixeira:

Especialista em ortodontia pela UNIGRANRIO
Especialista em Radiologia pela UNIGRANRIO
Pós graduação pelo Roth-Willians center for functional occlusion
Professor do curso de ortodontia do COOF(Centro de Ortodontia e Oclusão Funcional)